segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010

Da cor de pedra


Vi na alma de Madiba, o mesmo que na pedra de João.
Essa coisa concreta e impenetrável de guiar o espirito
e tomar-nos o viver. Poderia mover-me de inércia,
mas foi sem espanto que me vi escorregar para o seu interior.
Aprendi a importância de guardar a infância e saber do direito a usar
a palavra – Imprevisível - seria acordar em Robben Island,
possivelmente assente na ideia de meus pés na tua prisão.
Orla invicta de algarismo quarenta e seis...

Na noite em que me perdi a contar-te,
capturei a matriz do tempo possível e enojei-me dessa cápsula.
Vali-me de celebração, acordei corpo sem desordem e vi:
Que um dia afastaram o teu concentrado, latentizando a humanidade.
Quantas vezes choveu na terra desde seis e quatro?
Agito a vida, para nunca mais sair desta pedra
“Aprender a frequenta-la” como tu João;
Lapidar os vestígios de erosão e saber, por isso,
do mundo inteiro encarcerado.

Preta pedra prior, os tempos entendem o teu inicio
Ergues-nos da tua janela e vejo retirar-se dela o teu poema invicto,
leia-se: um homem negro e sua sombra branca, não tão longe dos tempos
em que os outros continuavam no mundo que tu enfrentavas,
ou como quando disseste: «vou prisioneiro, mas deixo-vos cá meu espirito,
minha alma viva, mesmo que ocultem vossa consciência sobre o meu lugar».
Também não evito o sobrevoar do poema sobre a cartilha óbvia:
Platão “incompletou-se” sobre os homens

Não há só os vivos, os mortos e os que andam no mar.
Há também os que guardam a terra e nada os desvanece,
os que guardam a pele do sul e nada os interrompe.
Por isso digo: esta pedra nunca morre!
E sei dela, agora, agregada à minha natureza
tipo seriguilha - dissuasiva de qualquer inverno.
Que dinâmica coreográfica é esta em que me vês dançar-te?
Talvez a lei de Ubuntu me ajude a perceber que descendes,
sangue que espreita por de trás de um horizonte colectivo.

Meu presidente, meu camarada!
quando avisto outros homens desta pedra,
vejo almas secas como matrioscas. Revela-se sempre, das formas,
a mais pequena. Mesmo sabendo dos quase meus anos de vida,
pudesse eu e depositaria teu embrião no mundo, porque já sabemos todos:
Se vê na alma de Madiba, o mesmo que na pedra de João.
A que tem na sua composição, o mineral que entoa humanidade.
Quero ficar criança no seu interior. Esta é a casa dos heróis!

Rodrigo Camelo, 12 de Fevereiro 2010

terça-feira, 12 de janeiro de 2010

Nelson Ascher: "Um ótimo poema repulsivo"


No seguinte artigo, publicado em 30/06/2008 na "Ilustrada", da Folha de São Paulo, Nelson Ascher comenta o poema de Philip Larkin traduzido por ele e aqui postado em 30/11/2009:

NELSON ASCHER

Um ótimo poema repulsivo


É NUM tom paradoxalmente triunfalista ("Não tive filhos, não transmiti a nenhuma criatura o legado da nossa miséria") que, em 1881, Machado de Assis arrematava "Memórias Póstumas de Brás Cubas".

Noventa anos depois, em 1971, o poeta inglês Philip Larkin (1922-1985) encerrava simbolicamente a carreira com um breve poema cuja última estrofe afirma e aconselha (em tradução literal) o seguinte: "Os homens passam (ou legam) a miséria uns aos outros. (...) Não tenhas filho algum".

O texto, um dos mais citados de sua língua, é, assim, um epitáfio.

Diante de tamanha coincidência (aliás, a tradução britânica do romance machadiano, sugestivamente intitulada "Epitaph of a Small Winner", saíra em 1968, numa edição da Penguin), seria tentador imaginar que o poeta de lá (bibliotecário profissional) tomara conhecimento do prosador daqui e se inspirara em seu livro. Tal vínculo de causa e efeito, porém, nada tem de obrigatório. Operando com materiais similares, mentes e temperamentos semelhantes chegam não raro a resultados parecidos.

Há imagens notáveis que, de tão usadas, perdem o impacto original e até deixam de expor claramente o que dizem, a que vieram. É o que ocorre com o sutil oxímoro formulado pelo brasileiro e pelo inglês. Cada qual, falando de um "legado de miséria", cria uma imagem à cuja família pertencem, por exemplo, "sua ausência preencheu uma grande lacuna" (atribuída a Stanislaw Ponte Preta), "a cárie (...) que enche inteiramente o cheio de vazio" (de um poeta que desconheço) e, no limite, o "nada que é tudo" pessoano.

Nada impede, portanto, que Larkin e Machado de Assis (ou melhor, Brás Cubas), numa destilação que, a nossos ouvidos, soa, a um tempo, bíblica, darwiniana e psicanalítica, sintetizassem independentemente a essência do niilismo.

Agora, consta que o inglês mesmo era pessoalmente uma figura no mínimo desagradável, e ninguém precisa concordar com sua mensagem explícita. A maioria das pessoas que conheço teve lá seus problemas com pai e mãe, mas sabe que tanto o presente voluntário da vida como todo o restante superam de longe as perdas e danos eventuais, e quem quer que os tenha perdido sempre lhes sentiu pungentemente a falta.
Que os pais cometem erros e nos causam dificuldades desnecessárias, tampouco é segredo. Eles, afinal, são humanos, e é deles que herdamos, sobretudo, nossa humanidade. Aqueles que atribuem o grosso de suas limitações ou insucessos a eles não passam de fracos, incapazes de reconhecer e assumir as próprias responsabilidades. Salvo em casos extremos (o de gente enviada a Auschwitz ou ao Gulag, respectivamente por Hitler ou Stálin), cabe a todo indivíduo responder, desde muito cedo, pelo que é ou faz.

O de Larkin é, sem dúvida, um poema bem-feito e, antes de mais nada, contundente (assim como as palavras derradeiras, note-se bem, de Brás Cubas, um personagem que jamais deve ser confundido com seu criador), não devido à qualidade ou agudeza de seu "insight", de sua percepção, mas a despeito da manifesta falsidade e injustiça desta. Infelizmente, o fato é que ética e estética não costumam andar de braços dados: bons sentimentos podem gerar versos medíocres, enquanto idéias repulsivas às vezes rendem ótimos poemas.

Pensando bem, no entanto, o "infelizmente" acima está errado. Ótimos poemas com mensagens detestáveis são necessários para que nunca deixemos de ter em mente que, ao contrário do que parece dizer a urna grega de Keats, o belo e o verdadeiro não são a mesma coisa. Um texto como "Este seja o poema" obriga-nos a dissociar ambos, bem como o que sentimos a seu respeito. Para quê? Para aprendermos a não ceder ao canto das sereias a ponto de acreditar em sua letra (ou vice-versa), pois, embora possa ter sido escrita por anjos ou pela serpente, ela, em nenhum dos casos, torna nossos ouvidos automaticamente refratários à sedução da melodia.




Philip Larkin
"Este seja o poema"

Teu pai e mãe fodem contigo.
Que não o queiram, tanto faz.
Passam-te cada podre antigo,
além de uns novos, especiais.

Mas de cartola e fraque, outrora,
fodera-os já do mesmo modo,
gente ora austero-piegas, ora
se engalfinhando cega de ódio.

Miséria é o que legamos: fossas
num mar que só fica mais fundo.
Dá o fora, pois, tão logo possas
sem pôr nenhum filho no mundo.


In: http://antoniocicero.blogspot.com/

segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

Aleg (o) ria a Miles

Agora que chegas ao meu poema
com as mãos activas que te definem,
película constante deste instrumento.
ás vezes é assim, quando a prosa é selecta!
venha outro e outro e resta-nos ir para a bagatela.

E vamos imaginar também que entro no teu poema
estrangeiro estou, no meu.
numa análise firme, vejo agora,
apenas um átomo entre nós –
coeficiente sete, matriz três e intervalo nove.
decidi, por isso, escavar até à matéria funda,
convencido de que ia encontrar o simples.
pelo menos isso consegui!
porque sei que sentes que estou a pensar em ti agora.

Mas debrucemo-nos sobre aspectos deontológicos
pois o que também vale aqui - é que embaraças os outros,
como versos inteiros sem maiúsculas,
ou nações nórdicas sem homens brancos.
não há nada de surrealismo neste cosntructo,
apenas sei do “tu” e do “eu”,
mesmo que esses “seres doces” estremeçam,
digo ao mundo agora:
- tudo é negro quando tocas.

é indiferente que emprestes a tua sombra aos outros,
todos parecem ir na tua direcção.
porque descendes do sexy quando tocas,
provocas alvoroço nos vivos, deixas fantasmas
aos pedaços e dás á luz quem recorre a ti.

e determino que:
- ninguém mais pode gostar de ti agora.
ultimamente, ouço-te em todos os músicos,
longe vai o tempo em que me detinha,
surdo do teu contentamento.
essa directriz goza de variabilidade,
porque o meu esforço agora é fazer
o dia, em que amplias, minha fidelidade,
ou onde, encontro a estrada para a matéria funda.

Volto ao simples, ao que me liga ao teu poema
avalio a consistência interna em “ao” e sei enfim,
da aquisição de alguém. alguém com sete pernas
e de estabilidade temporal sem escala.
Ah, como o mundo é intransitivo!
sento-me nele, como se de um verbo tratasse.
seco estou, à tua espera, de metal na mão
e com o mel quase frio da música ao pescoço.
Juntemo-nos aqui outra vez.

Rodrigo Camelo
11 de Janeiro 2010

quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

Dez guitarristas de Blues para ouvir antes de «viver»!




Nota Introdutória:
Apesar de alguns dos guitarristas nomeados não terem sua criação musical directamente associada à genese do Blues... Alguns dos seus trabalhos, fazem só por si, um extraordinário favor ao estilo musical citado.
Posto isto e sem qualquer ordem de importância.

1- Jimi Hendrix

2 - Stevie Ray Vaughan

3 - Albert Collins

4 - Albert King

5 - Eric Clapton

6 - Jeff Beck

7 - Muddy Waters

8 - B.B King

9 - Robert Johnson

10 - Buddy Guy (clarooooooooo)

quinta-feira, 19 de novembro de 2009

Kings of Leon - I Want you


Get back on track, pick me up some bottles of booze
Fickle freshman, probly thinks she's cooler than you
A hay ride at 5, everybodys comin around
So go press you skirt, word is there's a new girl in town...

I call shotgun, you can play your RnB tunes
The fellow?, it always comes a little too soon
The land of the free, freshened up from babyfaced shame
Put your eyes on me, and I know a place that we can't get away...

Just say I want you, just exactly like I used to
Cos baby this is ooooonly bringin me down...

Home-boy's so proud, finally got the video proof
The night vision shows she was only duckin the truth
It's heavy I know, black guy with the gift down below
A choke and a gag, she spit up n came back for more...

She sed I want you, just exactly like I used to
And baby this is ooooonly bringin me down...
She sed I want you

I want you, just exactly like I used to
And baby this is oooonly bringin me down...
I said I want you, just exactly like I used to
And baby this is oooonly bringin me down

quinta-feira, 15 de outubro de 2009

sexta-feira, 9 de outubro de 2009

Só as mães são felizes


"Você nunca varou
A Duvivier às 5
Nem levou um susto Saindo do Val Improviso
Era quase meio-dia
No lado escuro da vida

Nunca viu Lou Reed
"Walking on the wild side"
Nem Melodia transvirado
Rezando pelo Estácio
Nunca viu Allen Ginsberg
Pagando michê na Alaska
Nem Rimbaud pelas tantas
Negociando escravas brancas


Você nunca ouviu falar em maldição
Nunca viu um milagre
Nunca chorou sozinha num banheiro sujo
Nem nunca quis ver a face de Deus

Já frequentei grandes festas
Nos endereços mais quentes
Tomei champanhe e cicuta
Com comentários inteligentes
Mais tristes que os de uma puta

No Barbarella às 15 pras 7

Reparou como os velhos
Vão perdendo a esperança
Com seus bichinhos de estimação e plantas?
Já viveram tudo
E sabem que a vida é bela

Reparou na inocência
Cruel das criancinhas
Com seus comentários desconcertantes?
Adivinham tudo
E sabem que a vida é bela

Você nunca sonhou
Ser currada por animais
Nem transou com cadáveres?
Nunca traiu teu melhor amigo
Nem quis comer a tua mãe?"


Cazuza

terça-feira, 6 de outubro de 2009

Sem Comentários ... Em III partes



Cazuza - poeta urbano

Faz parte do meu show


Te pego na escola e encho a tua bola com todo o meu amor
Te levo pra festa e testo o teu sexo com ar de professor
Faço promessas malucas tão curtas quanto um sonho bom
Se eu te escondo a verdade, baby, é pra te proteger da solidão

Faz parte do meu show
Faz parte do meu show, meu amor

Confundo as tuas coxas com as de outras moças
Te mostro toda a dor
Te faço um filho
Te dou outra vida pra te mostrar quem sou
Vago na lua deserta das pedras do Arpoador
Digo 'alô' ao inimigo
Encontro um abrigo no peito do meu traidor

Faz parte do meu show
Faz parte do meu show, meu amor

Invento desculpas, provoco uma briga, digo que não estou
Vivo num 'clip' sem nexo
Um pierrot retrocesso
meio bossa nova e 'rock'n roll'

Faz parte do meu show
Faz parte do meu show, meu amor

Meu amor, meu amor, meu amor...

segunda-feira, 5 de outubro de 2009

Reconvexo

Eu sou a chuva que lança a areia do Saara
Sobre os automóveis de Roma
Eu sou a sereia que dança
A destemida Iara
Água e folha da Amazônia
Eu sou a sombra da voz da matriarca da Roma Negra
Você não me pega
Você nem chega a me ver
Meu som te cega, careta, quem é você?
Que não sentiu o suingue de Henri Salvador
Que não seguiu o Olodum balançando o Pelô
E que não riu com a risada de Andy Warhol
Que não, que não e nem disse que não

Eu sou um preto norte-americano forte
Com um brinco de ouro na orelha
Eu sou a flor da primeira música
A mais velha
A mais nova espada e seu corte
Sou o cheiro dos livros desesperados
Sou Gitá Gogóia
Seu olho me olha mas não me pode alcançar
Não tenho escolha, careta, vou descartar
Quem não rezou a novena de Dona Canô
Quem não seguiu o mendigo Joãozinho Beija-Flor
Quem não amou a elegância sutil de Bobô
Quem não é Recôncavo e nem pode ser reconvexo

Caetano Veloso

sábado, 3 de outubro de 2009

A mais lindaaaaaaa........





Você, Você

Chico Buarque

Que roupa você veste, que anéis?
Por quem você se troca?
Que bicho feroz são seus cabelos
Que à noite você solta?
De que é que você brinca?
Que horas você volta?

Seu beijo nos meus olhos, seus pés
Que o chão sequer não tocam
A seda a roçar no quarto escuro
E a réstia sob a porta
Onde é que você some?
Que horas você volta?


Quem é essa voz?
Que assombração
Seu corpo carrega?
Terá um capuz?
Será o ladrão?
Que horas você chega?


Me sopre novamente as canções
Com que você me engana
Que blusa você, com o seu cheiro
Deixou na minha cama?
Você, quando não dorme
Quem é que você chama?


Pra quem você tem olhos azuis
E com as manhãs remoça
E à noite, pra quem
Você é uma luz
Debaixo da porta?
No sonho de quem
Você vai e vem
Com os cabelos
Que você solta?
Que horas, me diga que horas, me diga
Que horas você volta?

sexta-feira, 25 de setembro de 2009

Poesia poesia poesia

A terra

A terra verde se entregou
a tudo o que é amarelo, ouro, colheitas,
torrões, folhas e grão,
quando, porém, o outono se levanta
com seu longo estandarte
és tu a quem eu vejo,
é para mim a tua cabeleira
a que reparte as espigas.

Eu vejo os monumentos
de antiga pedra rota,
porém se toco
a cicatriz de pedra
teu corpo me responde,
meus dedos reconhecem
de pronto, estremecidos,
tua quente doçura.

Passo por entre heróis
recém-condecorados
pela pólvora e a terra
e detrás deles, muda,
com teus pequenas passos,
és ou não és?

Ontem, quando arrancaram
com raiz, para vê-lo,
a velha árvore anã,
te vi sair me olhando
de dentro das sedentas,
torturadas raízes.
E quando o sono vem
e me estende e me leva
a meu próprio silêncio,
há um grande vento branco
que derruba meu sono
e dele caem as folhas,
caem como punhais,
punhais que me dessangram.

Cada ferida tem
a forma de tua boca.

Pablo Neruda in Versos do Capitão
Tradução de Thiago de Mello

Fragilidade

Este verso, apenas um arabesco
em torno do elemento essencial - inatingível.
Fogem nuvens de verão, passam ares, navios, ondas,
e teu rosto é quase um espelho onde brinca o incerto movimento,
ai! já brincou, e tudo se fez imóvel, quantidades e quantidades
de sono se depositam sobre a terra esfacelada.
Não mais o desejo de explicar, e múltiplas palavras em feixe
subindo, e o espírito que escolhe, o olho que visita, a música
feita de depurações e depurações, a delicada modelagem
de um cristal de mil suspiros límpidos e frígidos: não mais
que um arabesco, apenas um arabesco
abraça as coisas, sem reduzi-las.

Carlos Drummond de Andrade in A rosa do Povo

Aurora

Eu abracei a aurora de verão.

Nada ainda se mexia na fachada dos palácios. A água estava
morta. Acampamentos de sombras não deixavam a trilha do
bosque. Eu marchava, despertando hálitos vivos e cálidos, e as
pedrarias espiavam, e as alas se levantavam sem um som.
A primeira missão foi, num atalho já cheio de centelhas frescas
e pálidas, uma flor que me disse seu nome.
Sorri para a loira wasserfall que se descabelava através dos
pinheiros; reconheci a deusa no cimo de prata.

Então, um a um, levantei os véus. Nas alamedas, agitando os
braços. Pela planície, onde a denunciei ao galo. Na cidade grande
ela fugia entre cúpulas e campanários, e correndo como um
mendigo entre docas de mármore, eu a caçava.
No alto da trilha, perto de um bosque de louros, eu a envolvi
com seu monte de véus e senti um pouco seu corpo imenso. A
aurora e a criança caíram na beira do bosque.
Ao acordar, meio-dia.

Arthur Rimbaud in Iluminuras
Tradução: Rodrigo Garcia Lopes e Maurício Arruda Mendonça

sexta-feira, 18 de setembro de 2009

Lovin' Spoonful - Daydream


What a day for a daydream
What a day for a daydreamin' boy
And I'm lost in a daydream
Dreamin' 'bout my bundle of joy

And even if time ain't really on my side
It's one of those days for taking a walk outside
I'm blowing the day to take a walk in the sun
And fall on my face on somebody's new-mown lawn

I've been having a sweet dream
I been dreaming since I woke up today
It's starring me and my sweet thing
'Cause she's the one makes me feel this way

And even if time is passing me by a lot
I couldn't care less about the dues you say I got
Tomorrow I'll pay the dues for dropping my load
A pie in the face for being a sleepy bull toad

And you can be sure that if you're feeling right
A daydream will last long into the night
Tomorrow at breakfast you may prick up your ears
Or you may be daydreaming for a thousand years

What a day for a daydream
Custom made for a daydreaming boy
And now I'm lost in a daydream
Dreaming 'bout my bundle of joy

segunda-feira, 14 de setembro de 2009

worried about you




Sometime I wonder why you do these things to me
Sometime I worry girl that you ain't in love with me
Sometime I stay out late, yeah I'm having fun
Yes, I guess you know by now you ain't the only one
Baby, sweet things that you promised me babe
Seemed to go up in smoke
Yeah, vanish like a dream
I wonder why you do these things to me

Cause I'm worried
I just can't seem to find my way, baby

Ooh, the nights I spent just waiting on the sun
Just like your burned out cigarette
You threw away my love
Why did you do that baby
I wonder why, why you do these things to me

I'm worried
Lord, I'll find out anyway
Sure going to find myself a girl someday
Till then I'm worried
Yeah, I just can't seem to find my way

Yeah, I'm a hard working man
When did I ever do you wrong?
Yeah, I get all my money baby
Bring it, bring it all home
Yeah, I'm telling the truth

Sweet things, sweet things that you promised me
Well I'm worried, I just can't seem to find my way, baby

I'm worried about you
I'm worried about you
Tell you something now
Worried 'bout you, child
Worried 'bout you, woman

Yeah, I'm worried
Lord, I'll find out anyway
Sure as Hell I'm going to find that girl someday
Till then I'm worried
Lord, I just can't seem to find my way

(M. Jagger/K. Richards)

domingo, 13 de setembro de 2009

Let it loose


Who's that woman on your arm all dressed up to do you harm
And I'm hip to what she'll do, give her just about a month or two.
Bit off more than I can chew and I knew what it was leading to,
Some things, well, I can't refuse,
One of them, one of them the bedroom blues.
She delivers right on time, I can't resist a corny line,
But take the shine right off you shoes,
Carryin', carryin' the bedroom blues.
Oo...

In the bar you're getting drunk, I ain't in love, I ain't in luck.
Hide the switch and shut the light, let it all come down tonight.
Maybe your friends think I'm just a stranger,
Some face you'll never see no more.

Let it all come down tonight.
Keep those tears hid out of sight, let it loose, let it all come down.


(M. Jagger/K. Richards)
Aconteceu-me em III actos
Sabes! Como quando os olhos te dizem:
- Que procuram já nem sei mais o quê.
Exaustos das lágrimas que não reconhecem mais, o local de origem
Pensei até que o orgulho desorientado,
me levasse a um outro sitio.
Preciso de sentir o pulso de ser humano outra vez
Respirar o ar de meus irmãos escravos
Deixar-me perder em todas as frentes
Ser a antítese de heroina e ser devoto das emoções
Como na conversa que tivemos,
Quando o chão mais estável – foi lama
Quando a ausência mais profunda - foi tua.
E como se te apropriasses do espirito de quem te descreve:
Reveste toda esta folha de negro,
Como se a lava profunda e seca
te alcançasse
- Contagia-te, arrefece desenfreadamente
E vê apenas como ilusão, a tua emoção inicial.
Desapropria-te da memória áspera dos tempos
Se eu pudesse dar mais,
Criaria um verso indiferente a tudo o que nos dizem.
Para juntos navegarmos neste estranho lago ao relento
Onde me confesso imortal na dor que trazes
E tanto medo...
Quase como qualquer circunstancia militar
Onde a cor da luz nunca é possibilidade.
Por isso vejo o espaço amplo do negro
Que cobre as nossas faces alisadas por este vento,
De quem trouxe tudo à tona, meu camarada,
Separação prometida, lágrimas sem rosto.
- E se te havia dito: para “ouvires os olhos”
É porque sei,
que a paz virá da ampla luz do teu templo.

13 de Setembro
Rodrigo Camelo

quinta-feira, 10 de setembro de 2009

Somewhere down the road - Feist


Somewhere down the road
I'll see you again
I don't know when
And I know you'll be the same
And I know I'll be the same
Unchanged

You'll free me again
But I'll never be free
Of memories
And I know your life will change
And I know my life will change
Unchained

Unchained
Unchained
I'll drift away
Like roses on the sea

Stars up in the sky
Where they're always alone
They're on their own
And I know they'll always shine
And I know that they'll always shine
On time


"The hotest state original soundtrack"

segunda-feira, 7 de setembro de 2009

Um talvez Buarquiano...

Hoje acordei embriagado do universo Buarquiano…
Talvez fruto do balanço de mais uma festa do Avante. Talvez porque vejo reflectido no cancioneiro deste poeta/compositor maior da nossa língua reminiscências do espírito que se vive na Festa do Avante. Talvez porque seja de esquerda como o Chico, ou até da esquerda do Chico. Talvez porque, mais uma vez, falaram-me do deslumbrante concerto que Chico deu na festa em 1979 no alto da ajuda; numa época em que para ver os Brasileiros a sério – “precisávamos” ir ao Avante.
Talvez estivesse determinado à partida. Talvez porque em Setembro de 1979 estaria a pouco mais de um mês de nascer. Talvez porque saiba que minha mãe esteve nesse concerto.
É curioso pensar que Chico, em Setembro de 1979, encontrava-se com trinta e cinco anos.

Nenhuma destas letras tem propriamente um carácter político. Mas escolhi o elo perdido, mas comum que existe nas três. Deliciem-se com “Lola” porque ela sempre me deixou mudo.


Lola

Sabia
Gosto de você chegar assim
Arrancando páginas dentro de mim
Desde o primeiro dia
Sabia
Me apagando filmes geniais
Rebobinando o século
Meus velhos carnavais
Minha melancolia
Sabia
Que você ia trazer seus instrumentos
E invadir minha cabeça
Onde um dia tocava uma orquestra
Pra companhia dançar
Sabia
Que ia acontecer você, um dia
E claro que já não me valeria nada
Tudo o que eu sabia
Um dia


strong>ong>Me deixe mudo

Não diga nada
Saiba de tudo
Fique calada
Me deixe mudo
Seja no canto, seja no centro
Fique por fora, fique por dentro
Seja o avesso, seja a metade
Se for começo fique a vontade
Não me pergunte, não me responda
Não me procure, e não se esconda


Samba do grande amor

Tinha cá pra mim
Que agora sim
Eu vivia enfim
O grande amor
Mentira
Me atirei assim
De trampolim
Fui até o fim um amador
Passava um verão
A água e pão
Dava o meu quinhão
Pro grande amor
Mentira
Eu botava a mão
No fogo então
Com meu coração de fiador
Hoje eu tenho apenas
Uma pedra no meu peito
Exijo respeito
Não sou mais um sonhador
Chego a mudar de calçada
Quando aparece uma flor
E dou risada do grande amor
Mentira
Fui muito fiel
Comprei anel
Botei no papel
O grande amor
Mentira
Reservei hotel
Sarapatel
E lua de mel
Em Salvador
Fui rezar na Sé
Pra São José
Que eu levava fé
No grande amor
Mentira
Fiz promessa até
Pra Oxumaré
De subir a pé o Redentor
Hoje eu tenho apenas
Uma pedra no meu peito
Exijo respeito
Não sou mais um sonhador
Chego a mudar de calçada
Quando aparece uma flor
E dou risada do grande amor
Mentira

quarta-feira, 2 de setembro de 2009

A uma mulher

Uma mulher
Parece que a vejo curvada sob a escrivaninha
E avisto verdade em todos os seus vocábulos!
Que evita o óbvio em que nos deitamos
E que até da perpétua premissa banal,
Acrescenta um quê - transcendental.

A que, em cada vão acaso
Torna o driblar profundo do tempo
A sua lógica existencial.
Basta multiplicar sua prosa no mundo
E rimar, quando acrescentamos seu sal.
Há qualquer coisa de início, nela.

Preciso chegar-lhe, alcançar-lhe o Tu
Para poder dizer-lhe:
Escalamos os dois o medo na essência,
Que desconheces, mas que abastece o meu sinal
E nem quando a Barca de Gil afunda
Prevejo fraqueza na mulher, onde a fé abunda.

Porque temperas todos espaços em que te vês,
Com a tua natureza profunda.
Sonhas horas inteiras - a navegar
És viagem, és a rota de Espinosa
Mesmo quando és antítese igual:
A uma leve e carinhosa rebeldia.

Pareces parar todos os momentos
Provavelmente para abastece-los de ti.
Ás vezes penso, como quem te celebra
Minha camarada da verdade mutua,
Da que ainda nem caminhámos juntos...
Mas cada gesto teu denuncia

Que nem precisamos desafiar a sorte
Exigimos só o sul como caminho,
Avistar os que vivem famintos e ao relento,
De dizer apenas: hoje é o dia
E partir a Terra entre dois mundos
|Porque és o avesso cósmico que ela precisa |

Julho 2009