Rosa Passos, Paquito D´Rivera, Egberto Gismonti, Cyro Baptista, César Camargo Mariano, etc...
sábado, 1 de setembro de 2007
sexta-feira, 31 de agosto de 2007
Caetano Veloso - O CIÚME
Caetano Veloso - O ciúme
Dorme o sol à flor do Chico meio-dia
Tudo esbarra embriagado de seu lume
Dorme ponte, Pernambuco, o rio, Bahia
Só vigia um ponto negro: o meu ciúme
O ciúme lançou sua flecha preta
E se viu ferido justo na garganta
Quem nem alegre, nem triste nem poeta
Entre Petrolina e Juazeiro canta
Velho Chico vens de Minas
De onde o oculto do mistério se escondeu
Sei que o levas todo em ti
Não me ensinas
E eu sou só eu só eu
Juazeiro, nem te lembras dessa tarde
Petrolina, nem te chegaste a perceber
Mas, na voz que canta tudo ainda arde
Tu é perda, tudo quer buscar, cadê
Tanta gente canta, tanta gente cala
Tantas almas esticadas no curtume
Sobre toda estrada, sobre toda sala
Paira, monstruosa, a sombra do ciúme
--------------------------------------------------------------------------------
The guitar trio
A versão que pode ser encontrada no álbum "Friday Night in San Francisco" é esmagadoramente melhor do que esta... Mas fica aqui uma "pequena" amostra da energia e quimica detes guitarristas a desafiarem-se constantemente.
Super Guitar Trio

By Walter Kolosky
It was a historic occasion. The appearance of John McLaughlin, Al DiMeola, and Paco DeLucia at San Francisco's Warfield Theatre one Friday night in 1981 was a musical event that could be compared to the Benny Goodman Band's performance at Carnegie Hall in 1938. The Guitar Trio did for the acoustic guitar what Goodman had done for jazz. The acoustic guitar had gone commercial.
In 1979 and 1980, McLaughlin and de Lucia had actually toured Europe with Larry Coryell. McLaughlin tried to release a recording of this group but Columbia would have none of it, claiming Coryell was not a big enough name. Coryell had some personal problems at the time that did not help either. (The video Meeting of the Spirits features this version of the Trio, and it also appears on one cut on DeLucia's album Castro Marin ). When the time came to tour America, DiMeola stepped in. His presence suddenly made the Trio commercial. At any rate, Friday Night in San Francisco was the result.
FNSF truly caught these players' energy, amazing technique and humor to a generous degree. There is no doubt that McLaughlin is the leader (center channel gives that away), but DiMeola and DeLucia more than hold their own. DiMeola, though one of the world's greatest guitar players, lacks the emotional intensity and overall musicality to match McLaughlin or DeLucia. But the Latin influenced music of the Trio allows him to excel in a genre in which he had long dabbled. Not being a jazz player, DeLucia's improvisational work is understandably weaker than the other two. However, the music is as much in DeLucia's bag as anyone?s. The concert is full of call and response, unison playing, heavy chords (courtesy of McLaughlin), and audience screams.
The album's highlight is McLaughlin's duet with DeLucia on an Egberto Gismonti piece, “Frevo Rasgado”. The beautiful melody and stunning improvisation leads to an absolutely hair-raising finale duel. (Gismonti has recorded a beautiful version of his tune on piano.) The recording's lightest moments occur during a hilarious duet version of Chick Corea?s ?Short Tales of the Black Forest,? featuring McLaughin and DiMeola in which the two masters quote back and forth from various sources including Mancini?s ?Pink Panther.? All three players finish the event with a studio version of McLaughlin?s ?Guardian Angel.?
Friday Night in San Francisco may be considered the most influential of all live acoustic guitar albums. Though some have criticized it for its muscular tendencies, the recording certainly captures the excitement of the event itself. In a world of electric guitars, it was quite unusual to hear a crowd go absolutely ballistic over acoustic strumming. It is not so unusual today, and this record is one major reason for that.
quinta-feira, 30 de agosto de 2007
Olga, O Filme..

Olga, o filme
Por: Luís Carlos Lopes
La Insignia. Brasil, agosto de 2004.
O filme Olga, de Jayme Monjardim, é um passeio na história da primeira metade do século XX, tendo como pano de fundo o socialismo soviético, a política do Kominterm, o nazismo, a Segunda Guerra Mundial e a ditadura Vargas, no Brasil. O caso, bem conhecido pelos mais engajados, terminou com a deportação e morte em campo de concentração (1942) de Olga Benário Prestes, grávida de sua filha Anita Prestes (viva em todos os sentidos no Brasil de hoje), também filha do mais importante líder comunista da América Latina, Luiz Carlos Prestes, que ficou preso de 1936 a 1945, como um dos reféns da Segunda Grande Guerra.
Pela primeira vez, quase setenta anos após, o caso é compartilhado com o grande público do cinema. Na década de 1980, na crise da ditadura militar, livros e notícias na imprensa comentaram o fato, quase meio século depois de acontecido. Antes, todos sabiam o que havia ocorrido e engoliam em seco um dos crimes da ditadura Vargas. Aliás, este senhor ainda consegue, apesar de tudo, ser reverenciado até pela esquerda, depois de seus mil e um crimes do passado. O seu dramático suicídio em 1954, no contexto de uma tentativa de Golpe de Estado a ser perpetrado pela direita, e os fatos do período da ditadura militar (1964-1984) serviram para absolvê-lo de seus crimes e manter a sua máscara predileta de amigo dos trabalhadores e defensor da nacionalidade.
Espera-se que o filme ajude no desmonte do ídolo e na compreensão de que sempre vivemos em um estado de sítio, não importando muito quem ocupa o poder central. O problema é que a natureza deste poder é sempre constituída contra a maioria. Não é possível o estabelecimento de uma democracia, mesmo que formal, tal como as européias, enquanto sobreviverem tais níveis brasileiros e latino-americanos de opressão econômica, social e cultural. Os que dizem que se busca a igualdade de oportunidades para todos, estão de fato mentindo, escondendo que estão trabalhando para os inimigos de sempre.
Sob o ponto de vista cinematográfico, há várias falhas na arte de representar e no roteiro dado aos protagonistas do drama. Muitos implicarão com a baixa qualidade artística de várias passagens e do conjunto da obra. Outros insistirão, não sem razão, com a falta de rigor histórico-documental e com as omissões e torções muito significativas de fatos capitais. Todos terão razão, a priori, em suas críticas. Trata-se do primeiro longa-metragem de um diretor de telenovelas, acostumado à pressa e à inconsistência intelectual deste tipo de trabalho. Mas, Jayme Monjardim, antes guerrilheiro da diáspora revolucionária do final dos anos sessenta, não poderá ser acusado de não ter sido fiel às suas origens.
O diretor e responsável pelo filme não abrandou suas críticas ao Estado brasileiro e à figura do ditador. Foi fundo nas responsabilidades. Demonstrou o crime de se deportar uma sonhadora grávida e revolucionária (sem jamais ter matado ninguém), pelo crime de ser judia, comunista e sobretudo, por ter amado um brasileiro que se opôs à sua ditadura pessoal. Um presente para Hitler e o afogamento das misérias humanas de quem jamais se rendeu ao amor e jamais teve um caso similar em sua pobre existência, repleta de mesquinharias, frustrações pessoais e desgraça moral, que culminaram em seu patético suicídio em 1954.
Só isto tudo recomenda o filme, um libelo na defesa do sonho de liberdade e de justiça social que atravessa os limites do comunismo, da antiga União Soviética, do extinto Partido Comunista Brasileiro (por mais que exista quem reivindique a sigla) e da extinta idéia do revolucionário profissional encarnada por Olga. Em um cenário de tantas extinções, sobra o desejo humanista de uma sociedade mais justa e do fim de todos os tipos de opressão que conhecemos. Isto inclui a opressão da alienação e da incompreensão da realidade circundante. Também se refere à opressão da condição feminina, dividida entre o desejo de mudar o mundo e o gozo legítimo da felicidade.
Uma das cenas mais pungentes da película é quando Olga vê da janela do 'aparelho' que ocupa no subúrbio do Méier, em que seria aprisionada, (Zona da Central do Brasil, no Rio de Janeiro), a passagem de um bloco de carnaval. Simboliza o sonho de felicidade social e, ao mesmo tempo, as impossibilidades de mudar o mundo de cima para baixo. Isto ocorreria, sem perguntar, aos prováveis beneficiários da mudança, se eles a desejam de fato.
O Brasil, com suas imensas contradições, devem ter abalado as certezas de Olga, mas isto por obra dos nazistas daqui e de lá, jamais saberemos. O que sabemos é que Olga, ao contrário de seu companheiro ilustre, jamais transigiu ao poder. Morreu tributária de suas convicções e de seu casamento com os pobres e oprimidos. Dificilmente, Olga teria aceitado apoiar Vargas, apesar de tudo, porque assim os soviéticos desejaram. Mesmo sendo alemã e judia, Olga, de algum modo, foi profundamente brasileira. Estará viva em nossa memória para sempre.
terça-feira, 28 de agosto de 2007
Do alto dos teus sobrados

Teu solo-irmão da terra suja
Da bem velha, São Salvador da Bahia,
Baía de todas as fontes,
Entranha-se toda em mim,
Ó ser lusitano.
Tão indiferente esse teu mundo,
Aos que de ti fizeram, a musa prisioneira…
Transbordas de compaixão,
Pelas imensas praças,
De cores ligeiras e miseráveis,
De tantos azuis e tantos brancos,
De Um imenso reino amarelo-claro.
Os teus tupis-iorubás trazem-nos
Tudo à memória…
De uma África-Brasil, Ben Jor.
Dessas imensas africas,
Angola, Congo, Benguela
Prontas para ver,
Zumbi chegar.
Contigo estou, irmão…
Diante das grandes,
Colunas de Pedra,
Dos turísticos pelouros…
De uma efervescência cultural,
Banalizada ao ritmo dos que pagam
Onde outrora rolou o sangue,
De meus irmãos escravos,
Uma eterna sujeira de mãos claras,
Que não esqueces, nessa piedosa essência.
Os capitães e jubiabás da minha infância
Por ti esperaram adormecidos,
Bem como,
A tua natureza privada,
A tua mistura grotesca,
A sensual mistura de Alegria e Sexo,
Por tua beleza pura, de tão suja,
Que se vê clara.
Ao teor da mãe menininha,
Acrescentas, ao teu grei,
O mistério e a luz.
Enriqueceste o teu povo sedento,
As denuncias vermelhas,
Do teu mais que Amado rebento,
Searas mil e
Ásperos os tempos
Dos nossos imperadores, mas,
Dos teus templos e tua perpetua vontade…
Tiago Pereira da Silva