terça-feira, 13 de maio de 2008

13 de Maio

Dia 13 de maio em Santo Amaro
Na Praça do Mercado
Os pretos celebravam
(Talvez hoje inda o façam)
O fim da escravidão
Da escravidão
O fim da escravidão

Tanta pindoba!
Lembro do aluá
Lembro da maniçoba
Foguetes no ar

Pra saudar Isabel
Ô Isabé
Pra saudar Isabé


Caetano Veloso

segunda-feira, 12 de maio de 2008

Brasil do meu princípio...

II Parte

E vejo mil rosas florescerem num sertão.
De um abismo geográfico, onde cabem
Os silêncios constantes dos sem terra.
Amplificas os mistérios da dor, João!
Ao rumo da história do teu Sertão,
Através das palavras que correm,
Como sonhos ou histórias de uma infância
De cor eterna, poesia e militância.


Tiago Pereira da Silva

Brasil do meu princípio...


I Parte

Há uma mesma palavra em todos os meus versos
Em tudo o que ele me ensinou, sem saber.
Quero encarar todas as experiências;
Comover-me, no mastigar concreto de sua prosa
E confundi-las nas matrizes do tempo de Rosa.
E é nessa clandestina noite de exílio
Que surge essa canção suja, a degolar.
Um Brasil imenso, de nome - Gullar.


Tiago Pereira da Silva

quarta-feira, 7 de maio de 2008

Lava de vez este mundo!



Porque ninguém sofre no meu verso?
Todos se riem…
Eles pisam-no, atentos,
Na engrenagem.

Porque ninguém reparou nesse homem?
Todos se riem…
E engraxam o luxo, nas suas
Mãos de garagem.

Porque ninguém reparou, na forma como ele se curva?
Todos se riem…
Os berços deles, não contemplam:
Bem-haja.

Porque ninguém o vê no meu verso?
Todos se riem…
E esquecem o mundo.
Só pensam em ganhar vantagem.

Porque ninguém o vê para lá do meu verso?
Todos se riem…
E fazem poses para
Pilhar a embalagem.

Porque ninguém cospe no meu verso?
Todos se riem…
Junta-te a nós e
Alia a fonte dessa coragem.

Rodrigo Camelo

Descobrimento


Mário de Andrade


Abancado à escrivaninha em São Paulo
Na minha casa da rua Lopes Chaves
De supetão senti um friúme por dentro.
Fiquei trêmulo, muito comovido
Com o livro palerma olhando pra mim.

Não vê que me lembrei que lá no Norte, meu Deus!
muito longe de mim
Na escuridão activa da noite que caiu
Um homem pálido magro de cabelo escorrendo nos olhos,
Depois de fazer uma pele com a borracha do dia,
Faz pouco se deitou, está dormindo.

Esse homem é brasileiro que nem eu.

domingo, 4 de maio de 2008

Indie Lisboa 2008




No balanço de mais um Indie, destacaria a “obrigatoriedade” de ver filmes como “Wonderful Town” que ganhou justamente o festival; a magnifica adaptação do “conto” de Mia Couto – Terra Sonâmbula pela portuguesa - Teresa Prata é assombrosamente belo. O público rendeu-se e votou nele massivamente. Importa distinguir por fim, o filme documentário sobre Patti Smith: “Dream of Life” com o excelente inicio da curta metragem “Smells Like Teen Spirit”. Um poema em forma de documentário, daquela que muitos consideram a madrinha do Punk. O melhor documentário que vi sobre um músico(a)...